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Nas alturas – A origem do salto alto

 

Que mulher não se sente poderosa sobre um belo par de sapatos de salto alto?

 

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Mesmo aquelas que não têm o hábito ou não se acostumam com eles, sabem de seu poder…

Eles alongam a silhueta, ressaltam os músculos das pernas e exigem melhor alinhamento da postura.

Elegantes, impõem classe ao visual para o trabalho. Sensuais, têm tudo a ver com programas a dois, baladas e momentos festivos.

Um verdadeiro coringa. Infalível.

Giácomo Casanova (1725 – 1798), um aventureiro italiano que entrou para história como um sedutor inveterado, dizia amar os saltos.

Isto porque levantavam levemente as armações das saias mostrando uma pequena fração das pernas femininas, o que para sua época era um toque de ousadia em meio ao recato imposto às mulheres.

 

Casanova

 

 

 

O sedutor Casanova já exaltava o poder de sedução do salto alto no século XVIII

 

 

 

Segundo historiadores, os primeiros sapatos e sandálias de salto alto surgiram há séculos.

 

Os modelos mais antigos foram encontrados em uma tumba do Antigo Egito e datam do ano 1000 aC. Acredita-se que eram utilizados por pessoas de alta posição social.

Na Grécia Antiga, também já se usava saltos altos. Ésquilo, o primeiro grande historiador grego, fazia os atores de suas peças usarem sapatos de plataformas de diferentes alturas para, assim, indicar a posição social de cada personagem.

Também como símbolo de poder, no Japão o imperador Hirohito foi coroado, em 1926, calçando sapatos com plataforma de 30 cm de altura.

O salto alto também era associado à sexualidade desde a antiguidade. No auge do Império Romano, as prostitutas eram identificadas pelos saltos que usavam.

No Japão, as cortesãs japonesas usavam tamancos com altos, entre 15 e 30 cm. Já as concubinas chinesas e as odaliscas turcas eram obrigadas a usar sandálias altas provavelmente para impedir que fugissem dos haréns.

 

Na Era Moderna, os saltos altos ressurgiram com as chopines italianas – sandálias com plataformas de altura variando entre 15 e 42 centímetros.

 

Algumas chegavam a inacreditáveis 75 centímetros e as mulheres que as calçavam tinham que se apoiar em bengalas para conseguir se equilibrar. Esta moda era tão absurda que o modelo foi proibido em Veneza, em 1430.

 

Chopines italianas

Item da coleção de Lady Gaga? Não, apenas as extravagantes chopines italianas do século XV.

 

A criação dos saltos altos como conhecemos hoje é atribuída a Catarina de Médici, no século XVI.

 

Como era baixinha, mas gostava de parecer mais alta, ela tinha vários modelos produzidos por um artesão italiano.

Quando foi para a França, ela utilizou um belo par de sua coleção em seu casamento com Henrique II, criando moda entre a aristocracia francesa.

 

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Os sapatos de salto de Catarina de Médici se tornaram moda na França, no século XVI.

 

No século XVII, o rei Luíz XIV, que tinha somente 1,60m de altura, usava saltos altos para aumentar sua estatura e impor maior austeridade. O modelo foi tão marcante em seu vestuário, que o tipo de salto de sua preferência ganhou seu nome e passou a ser copiado pelas mulheres da corte.

 

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Por se considerar baixinho, o rei Luíz XIV, da França, adotou os sapatos de salto.

 

Até o final do século XVIII os sapatos de salto alto eram usados na Europa somente pela nobreza. Com a revolução francesa, caiu em desuso, por representar a a aristocracia.

Em 1791, Napoleão baniu salto alto para mostrar a igualdade. Somente as prostitutas dos ricos bordéis franceses ainda o usavam. E curiosamente eram as mais solicitadas.

Nesta época, na Inglaterra, as mulheres que utilizassem salto alto para seduzir os homens eram condenadas como feiticeiras…

Nos Estados Unidos, no século XIX os sapatos de salto alto eram importados dos bordéis de Paris. Os primeiros modelos femininos com salto alto foram produzidos em solo americano somente com a Revolução Industrial.

Por volta de 1500, surgiram as botas de montaria, muito comum entre os cowboys, com saltos de cerca de quatro centímetros. A elevação dos calcanhares foi a solução encontrada para firmar o pé no estribo.

 

botas de cowboy

Os cowboys americanos usavam botas com saltos para firmar o pé no estribo.

 

Mas, no início do século XX, ainda era forte o preconceito em relação ao salto alto para as mulheres. Para muitas pessoas, aquelas que os utilizavam eram indecentes. Nem mesmo mostrar partes desnudas dos pés era bem aceito. Por este motivo, em público as mulheres calçavam botas ou botinas.

 

Isto começou a mudar somente após a Primeira Guerra Mundial, quando surgiram os primeiros modelos com tiras e pequenos saltos. Mas, ainda assim, eram mais utilizados por mulheres mais modernas, especialmente para dançar.

Nos anos de 1930, após a Grande Depressão, os saltos altos ficaram em baixa. Os tempos eram difíceis e não havia clima para dançar. Esta tendência ficou mais acentuada durante a Segunda Guerra Mundial, já que a escassez de matéria prima limitou o mercado.

Os saltos só voltaram à moda após o conflito, quando novos materiais passaram a ser explorados. A retomada veio quando o designer italiano Salvatore Ferragamo desenvolveu um modelo de calçado com salto Anabela em cortiça. Na época, Christian Dior recriou o scarpin, que desde então reina como um clássico em nosso tempo.

 

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Nos anos 40, Christian Dior recriou o scarpin, que se tornou um clássico.

 

Na década de 1950, os calçados italianos se tornaram muito populares entre as estrelas de Hollywood. Jane Mansfield, por exemplo, tinha mais de 200 pares. O salto stiletto, mais conhecido como agulha era sinônimo de sex appeal, ainda que naquela época, os médicos já alertassem para os riscos que poderiam oferecer à saúde.

 

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O clássico salto stiletto é sinônimo de sex appeal.

 

No início dos anos 1970 as plataformas retornaram em modelos extravagantes. Até mesmo os homens aderiram à moda dos saltos altos, como Tony Manero (John Travolta), no clássico Embalos de Sábado à Noite.

Na abertura do filme, de 1977, ele caminha pela calçada. Mais parece que dança, distraído com seus próprios pensamentos e com as moças bonitas que por ele passavam. Sua atenção então se desvia para uma vitrine de sapatos e ele dá uma conferida no salto de suas botas em comparação aos modelos à venda.

Item fashion para os homens na época, as botas com salto eram destaque nas pistas de dança.

 

 

Nos anos 80, o salto stiletto foi popularizado entre as mulheres executivas, como se agregassem uma imagem de eficiência e de autoridade ao seu vestuário.

Nas décadas seguintes, os velhos clássicos foram reciclados em novas roupagens. Mas, até hoje, os sapatos de salto alto fazem parte do imaginário da humanidade, como símbolo de poder e sensualidade.

 

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Poder e sensualidade. Pois é… está na história.

 

Sobre Ana Bernardinelli

Quem sou eu? Pergunta difícil, até porque ainda não encontrei a resposta. Mas, uma certeza é que desde muito cedo soube que queria escrever. Sobre tudo. Dos tempos em que brincava de “fazer jornal”, com o meu fictício “O Linguarudo”, até meus textos adolescentes em “Penúltima Palavra – porque a última é sempre da diretora”, o periódico da escola, fui confirmando meu desejo. Ainda cursando Jornalismo na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, no coração da sempre incrível Av. Paulista, comecei a trabalhar na área. Já formada, passei por emissoras de rádio FM e AM. Também trabalhei em revistas – de automóveis, brinquedos e variedades, além de prestar serviços para empresas e entidades de classe com textos corporativos. Nos últimos anos, fui repórter do mais importante semanário da Zona Norte de São Paulo. Apaixonada por história da arte, cultura pop, música, cinema e literatura, tenho ainda um grande vício. Sim, confesso: sou sapatólatra. Em estágio avançado. E sem esperanças de cura. Simplesmente não resisto ao desejo de buscar novidades e curiosidades sobre este objeto que ultrapassa sua definição e se mistura com tantas emoções. Porque por trás de um belo par de sapatos, há sempre uma grande história. Aqui, no entanto, está a minha terapia! Vocês agora são meus convidados para esta aventura fashion! Ana Bernardinelli

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